eats an expert - Drª Solange Burri

''Gostaria de saber a sua opinião sobre o consumo ocasional de boiões de comida para bebé, quer fruta, quer mesmo os purés de peru, frango ou peixe''.
Mamã Maria

Esta pergunta é pertinente, sobretudo se se tiver em conta a ética profissional que deve ser assumida perante os parceiros da Industria Alimentar mas também que leva a refletir sobre a não tão rigorosa alimentação que se pratica em casa, por vezes até induzida por falta de informação, e tempo, das pessoas que preparam as refeições. Mesmo que destinadas para crianças de idade muito tenra. 

Assim, assumindo que falámos de boiões de alimentação infantil, de marcas com um rigoroso controlo de qualidade e que respeitam as especificidades nutricionais das diferentes faixas etárias, a minha opinião é a seguinte:

Boiões de Fruta: apesar de, preferencialmente, ser recomendado o consumo de fruta crua, pelo seu maior teor vitamínico, e de fibra também, parece-me favorável o seu consumo desde que esporádico (em viagem, por exemplo) mas sempre na variedade 100% FRUTA de modo a minimizar, tanto quanto possível, o consumo desmesurado de níveis mais elevados de açúcar afinal a fruta já contem na sua composição um açúcar natural - a frutose - pelo que a adição de mais açúcar, ou mel, incrementa o teor deste ingrediente doce que, a longo prazo, afina o paladar da criança e a estimula, descontroladamente, a preferir alimentos com igual ou maior teor de açúcar. Por isso, analise bem o rótulo e evite também as variedades que incluem mel. A fruta quando é cozida perde água e adquire um paladar ainda mais doce, de total agrado do Bebé, bem como a sua textura, mas pelo seu menor valor nutricional não deve fazer parte da rotina alimentar habitual do Bebé dado que, nesta forma, não está contribui para  o fortalecimento do sistema imunitário


Boiões de Preparados de Carne/Peixe: neste tipo de produtos o aconselhamento é mais especifico e diferente do anterior. Na minha opinião, a quantidade de peixe e de carne que fazem parte da formulação em cada variedade são em quantidade reduzida, e recomendadas no rótulo por dose, é menor devido ao risco de uma maior quantidade presente no produto comprometer inevitavelmente o prazo de validade do produto/estabilidade  e, por conseguinte, o seu tempo de vida útil.  Além disso, encontra-se de facto no rotulo, na lista de ingredientes destes produtos, aditivos que, ainda que estejam presentes nos limites regulamentados para Alimentação especial, a verdade é que o seu efeito cruzado não é contemplado na legislação pelo que tratando-se de um público consumidor muito susceptível, coloco algumas reservas no consumo continuado destes produtos que considero deva ser ABSOLUTAMENTE pontual mas ideal para momentos em que se tem que dar a comida ao Bebé fora de casa. 

Quando se saí em viagem ou se está afastado de casa por um período de tempo prolongado que abranja os momentos da refeição da criança, os boiões são de facto a melhor opção, sobretudo no Verão quando as elevadas temperaturas podem comprometer, e muito, a comida levada pela família e até, aquela que se pode encontrar em locais de restauração, muitas vezes incompatíveis com as exigências alimentares da criança, quer em textura quer no que diz respeito ao seu teor nutricional. Por esta razão, e caso pretenda seguir esta diretriz, a família deve em casa, oferecer ESPORADICAMENTE, estes boiões para que a criança não estranhe quando as mesmas variedades (convém pois variar) lhe forem apresentadas em viagem, piqueniques ou outro momento. Combinado?


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O meu bebé até come bem a fruta esmagada com um garfo, gosta mesmo, mas como acha piada aos pedacinhos que lhe passeiam pela boca demora uma eternidade a comer, maça, pêra, banana, etc ficam oxidadas com tanta demora, obviamente que o sabor deixa de lhe agradar e já não come mais, há algum processo de impedir ou retardar essa oxidação? (Mamã R., filhote 8 meses)

Quando se tritura a fruta, o contacto com o ar e com a luz permite que fruta apresente uma alteração na sua aparência, em resultado da perda do efeito anti-oxidante, papel fundamental da vitamina C e que representa um papel protector perante outros constituintes presentes na fruta. Quando ocorre um escurecimento da fruta, constata-se que a vitamina C se perdeu e deixou pois de ter este papel protector na papa de fruta, denotando lamentavelmente uma redução do teor nutricional que já não poderá fortalecer o sistema imunitário da criança.
Quando as crianças são muito pequenas, e estão ainda em processo de aprendizagem alimentar, é comum extenderem interminavelmente o horário da refeição e, deste modo, comprometer a ingestão de fruta e também a qualidade nutricional da mesma.

Nesse sentido, publico hoje este post de modo a sensibilizar as mamãs para que tenham em atenção o seguinte:

Insistir para oferecer sempre a fruta preferencialmente no estado crú;

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Criar a rotina de oferecer a fruta crua sempre a seguir às refeições para induzir o hábito diário e contribuir para uma absorção do ferro mais eficaz;

Evitar dar outros alimentos como sobremesa, nomeadamente os lacteos (iogurtes, queijo) já que o calcio compete com o ferro, no organismo, e impede a sua absorção;

PREPARAR A FRUTA CRUA apenas no momento de ser ingerida. Nunca transporte fruta crua, já passada ou triturada, pois além de ocorrer uma significativa perda vitamínica, verifica-se também uma acentuada alteração sensorial que poderá comprometer a preferência do Bebé;

Quando a criança já come sozinha, prefira cortar em pedaços maiores e deixe-a comer sozinha. Quanto menos fragmentada estiver a fruta menor é a perda vitamínica;

Uma estratégia que poderá também implementar, sobretudo se a criança não tem o hábito de comer fruta crua, é oferecer fruta cozida em que adicionou, triturada, alguma fruta crua. Exemplo: fruta cozida+pera crua;

Lembro a importância de, por volta dos 10 meses da criança, começar a migar a fruta, em vez da tradicional trituração, praticada até então. Deste modo, estarão não só a promover uma menor perda vitamínica como a induzir o processo de adaptação infantil à alimentação adulta;

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Quando toda a fruta já foi introduzida, satisfatoriamente, na dieta infantil, poderá fazer combinações entre si, conjugando fruta muito rica em vitamina C com fruta que oxida mais depressa. Por exemplo, pode misturar pêra ou maçã, que oxidam muito depressa, com um pouco de sumo de laranja, ou acrescentar outra fruta que ele já possa comer. Deste modo, estimula uma maior rotatividade na alimentação e estimula o interesse da criança por este alimento, tão importante para a manutenção e qualidade da sua vida futura.


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imagens: eatsreal.com e superkidsnutricion

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